Melancólica, sim. Instável, não nego. Intensa, sensível de monte. Tímida, talvez. De armadura valente, essência repleta de sentir e um coração molenga, sigo cortejando flores e dissabores.
Com meus longos cabelos curtos e leves, com a face já refletindo anos de vivências, com as mãos recheadas pelo dom de trabalhar sempre e não parar nunca; levo na bolsa uma agenda cheia afazeres e idéias, na mente uma imaginação fértil e sem limites, na boca uma língua afiada que já não cala, no documento uma idade que muitos duvidam e no peito um coração devaneador.
Sou daquelas que sonha alto, que acredita mesmo que o vento não esteja a favor, que busca mesmo que esteja longe demais o ponto a ser alcançado, que tenta e não desiste até que a linha de chegada revele suas surpresas. Não vejo a vida com lentes coloridas, pois há sim dias cinzas, e muitos. Na minha bagagem não cabem mais promessas nem utopias, apenas há espaço para uma tendência desenfreada à esperança.
O que você chama de otimismo eu prefiro chamar de confiança e de fé. De um querer infinito. De uma coragem pulsante da qual me visto pra poder viver. Já fui acometida pelo cansaço que desencoraja os sonhadores. Mas sou movida por uma teimosia e uma vontade de realizar que me põem de pé todas as manhãs. As inseguranças podem até me fazer visita mas não têm morada aqui. Elas não prendem meus passos.
Eu bem que tentei. Já quis ser diferente. Já até coloquei metas num papel: Esperar menos, tolerar mais; Apegar menos, abstrair mais; Me importar menos, relaxar mais; Insistir menos, dessintonizar mais. Mas não deu, não dá. Cada detalhe molda meus acabamentos. Cada ruína compõe meus alicerces. Cada estação, cada fase, cada vitória ou fracasso me fizeram hoje ser quem sou, alguém que pode muitas vezes até duvidar das pessoas e de suas intenções, mas continua a apostar na vida e no melhor de cada ser.
Minha teoria é simples. Não guardo segredos. Não teço mistérios. Verdades são sempre verdades, e não se encondem por muito tempo sob nenhum tapete de mentira. Meu sentir é sim exagerado, precipitado. Me jogo, me lasco, me entrego, me esfolo inteira. Melhor do que viver pela metade. Amar pela metade. Acreditar pela metade. Pra tombo há remédio, há curativo. Pra sonho desperdiçado, não.
Por isso gasto meus sorrisos, não passo vontades, não guardo choros, não contenho gritos. Por isso insisto em desafiar o tempo e as pedras do caminho. No meio do furacão, saio devastada mas sobrevivo à tempestade. E não paro, e não me basto. Recuar? Calar? Desistir? Verbos inexistentes no dicionário que inventei pra mim. Eu quero é pagar pra ver o final feliz acontecer. E fim.
Gisele Mulek
Adaptado, desconheço autor.
Gisele Mulek









