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Aqui… com doçura, com paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor; Sabedoria, esperança, caridade e diferenças; Saudades, liberdade, dúvidas e certezas; Entre amigos ou família, quem sabe outras crenças, dias de sol ou de chuva, sem frescuras… dividimos…"segredos".


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terça-feira, 15 de novembro de 2011

A gente se acostuma... Mas não deveria!!


A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida... que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

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domingo, 6 de novembro de 2011

A Alegria na Tristeza


O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada.

Triste é não sentir nada!!


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Há tristeza na alegria, porque tristeza é um dos nomes da decepção, porque existir nessa dimensão é incompleto, há muita limitação, de modo que mesmo feliz sempre se tem a impressão de que algo sempre nos falta.

Há alegria na tristeza, porque tristeza é uma manifestação de insatisfação, de prostração diante de algo que nos fere, que nos despedaça. E mesmo assim, no bagaço, ainda estamos vivos, há esperança na escuridão, do fundo do buraco imaginamos que amanhã tudo será melhor e nós harmoniosamente faremos parte de uma nova imensidão.

Seja como for, que sua tristeza seja forte o bastante para produzir a alegria necessária; e que depois da reclusão você possa abrir a janela, e perceber que ainda existe vida, se chove ou faz sol, ainda há vida!!



Gisele Mulek

sábado, 5 de novembro de 2011

Descansarei....



Descansarei
Comunidade Evangélica de Maringá

Cobre-me
Com tuas mãos
Com poder
Vem me esconder Senhor

Se o trovão e o mar se erguendo vêm
Sobre a tempestade eu voarei
Sobre as águas tu também és rei
Descansarei, pois sei que és Deus

Minha alma está
Segura em ti
Sabes bem
Que em Cristo firme está


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A dor da espera


Queria conhecer alguém que gosta de esperar. Sim… esperar. Ficar ali, paradinho, aguardando… E fazer isso numa boa. Sem estresse. Divertir-se com o tic-tac do relógio e o vazio do tempo perdido. Não sei se essa pessoa existe. Talvez sim. Afinal, como dizem, tem gosto – e gente – pra tudo.

Entretanto, a mais dolorosa espera não é essa da fila do supermercado, do banco… Nem do livro ou filme ansiosamente desejados, comprados, mas que não chega. A mais difícil é a do amor que não chega, do relacionamento que não se define, do sim por vezes adiado. Uma espera alimentada pela esperança, mas que queima a alma e corrói a paz pela dúvida, insegurança e medo.

Esperar é olhar para o horizonte. É ficar na janela horas a fio. É olhar para o telefone, dizer alô e perceber foi ilusão. É colocar a cabeça no travesseiro e saber que o sono não vem… É a constante angustia por palavras de um futuro bom.

Quem espera, sonha com um final feliz. Deseja concretizar suas vontades. Espera pois sabe que não tem controle do outro e nem pode interferir em seu destino. É um constante bater à porta sem ter acesso à casa, já que não se possui a chave.

Nem todos estão dispostos. Nem todos sabem esperar. Alguns tentam forçar “a porta”. Outros, simplesmente desistem. Contudo, há aqueles que persistem. Sofrem com os minutos que se arrastam, com os dias carentes de vida, mas seguem ali movidos por uma força maior… Parecem loucos. Não são. Apenas amam. E amar é esvaziar-se de si para se deixar ser preenchido pelo outro.

Fonte:
http://blogdoronaldo.wordpress.com/2011/11/03/a-dor-da-espera/


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sua ausência....!!!


Este sempre foi um mês de festa, mês que comemorávamos com alegria o aniversário de meu Avô, mas coincidência ou não, se tornou agora o mês de lembrar e lamentar sua partida.

Hoje, um ano, que você se foi, quanta saudade!!

Impossível não chegar à casa onde você construiu e não ter lembranças de tantos momentos, desde a infância, de seu sorriso, seus olhos azuis, suas brincadeiras, seu abraço tímido, seu jeito quieto, mais sempre presente.

Acho que posso definir sua falta como as luzes quando se apagam, deixam em nós a escuridão. A falta da luz dá o contraste para nossos olhos poderem captá-la, porém, passados alguns instantes, nossos olhos se acostumam sem ela e começam a vislumbrar, definir algumas formas, começam "a ver" na escuridão.

Assim também ocorre com a ausência de quem amamos; o contraste de sua falta nos faz sentir a sua presença; e aos poucos acomoda-se em nós o desconforto dessa permanente ausência e fica então essa doce saudade.

Hoje nesse momento me sinto triste, coração aflito, vazio no peito, lágrimas. Sem entender ficamos assim, sem respostas a essa pergunta que não quer calar: Porque perdemos pessoas que amamos?? Porque a vida não os mantém junto a nós?

Mais entendo, que Deus deu a vida, e a Ele pertence!!

Fica então sua ausência, mais posso dizer que mesmo você não estando aqui... de alguma forma tento parecer que estas!!

Com saudades, meu avô Demetrio Mulek (*02.11.1933 / +10.11.2009).

Gisele Mulek


****


Hoje dia 02/11/2011 seu aniversário... lembro com muita saudade.. nesses dois anos que se passou. Só mostra que não importa se anos.. meses.. dias.. sempre doi perder alguem especial que a gente ama!!

Dia de saudade!!

Gisele Mulek

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Hoje estou todo negro...


Hoje estou todo negro
Vesti-me de preto do tórax à planta dos pés
Fiz isso, pois precisava
sentir a mim e me inebriar na exatidão
Fiz isso, pois qualquer outra cor não poderia correlacionar
ao meu estado de espírito

Fiz isso, pois meu interior jaz em negro violento,
obscuro e silencioso
Fiz isso por que me cansei de tantas cores
que a vida parece ter
Meu ser agora é todo negro
Negro da cor do nada
Negro que nega o tudo

Cansei de tudo
Das palavras sempre bem elaboradas no papel,
do livro sempre lido que de tão lido
está surrado e já com páginas amareladas
Dos sorrisos de dentes brancos
Da mesma casa, dos mesmos gostos,
dos mesmos discos novos.
Da internet sempre atual. Do vermelho vivo
que as luzes dos carros emitem no transito
De palavras sempre belas
e repetidas, dos desejos e insinuações
Desta minha fé morta, que de tão morta
move montanhas
Das mesmas pessoas, dos mesmos assuntos,
das mesmas casas, das mesmas caras.

Estou cansando e sobrecarregado
Cansei desta velha casca desgastada
que carrego sempre
e que com ela vou vivendo até um dia me acabar.
Cansei de tudo que é cor.
Cansei de tudo que é meu e mais um pouco
que tomo emprestado dos outros

Tudo o que me resta é esta casca
Esta velha casca desgastada
E esta angustia existencial inacabada

Fernando Martins


domingo, 30 de outubro de 2011

Você...


Você é o meu eixo segura os meus desequilíbrios...

Você é a minha paz nos meus tormentos...

Você é a minha luz na minha caminhada...

Você é a minha esperança nas desilusões...

Você é a minha cura para a minha doença chamada solidão...


Você é o meu anjo me protege me segura...


Você é o meu tudo nesse nada que sou eu...


Você é a minha alma gêmea...

Você minha metade... meu complemento...

Simplesmente você..!!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Para onde vão nossos desejos?


Para onde vão quando nada parece fazer sentido? Para onde vão quando a vida se perde numa curva da estrada? Para onde vão quando tudo que sempre se desejou simplesmente desaparece como num passe de mágica? Onde encontrar forças? Onde encontrar motivos se as razões para sorrir esvaziaram-se?

Não há respostas. Perdemo-nos. Todos nós. A vida prega peças que surpreendem. Ninguém controla tudo. Muito menos, sentimentos e emoções.

Dia desses gravei uma entrevista sobre a importância de sermos educados para lidar com as emoções. O papo foi empolgante. Afinal, vivemos um tempo em que cuidamos muito do intelecto, mas damos pouca atenção ao que sentimos. Entretanto, embora a conversa tenha revelado a importância de reconhecermos aquilo que sentimos, cheguei à conclusão que ninguém aprende ou domina completamente o que vai no coração.

Você não chega e diz pro coração: - Não fique triste!

Já tentou? Deu certo?

Pois bem… se deu certo, venda a receita. Isso mesmo, venda!

Queremos superar as perdas. Quem gosta da dor é masoquista. Doente da cabeça. Gente “normal” quer sentir-se bem.

São nossos desejos que nos movem. Desejos entendidos como a pulsão de nossa vida. E esta se faz presente na vontade de trabalhar, estudar, ler um livro, amar… viver. A busca e a realização dos desejos fazem a alma bailar.

Entretanto, por vezes, parecem nos abandonar. E nos deixam quase sempre por situações aparentemente corriqueiras, mas que nunca serão facilmente assimiladas. Pode ser a perda de alguém querido, a briga com um amigo, os desencontros no amor… E aí você olha dos lados e nada faz sentido. Olha para dentro de si e só encontra vazio. Nenhuma resposta. Só perguntas.

Quando isso acontece, ah… você pode ouvir o que for, qualquer palavra, mas nada consola. Não tem abraço, não tem carinho, não tem sorriso… nada. Nada conforta.

Seria carência? Fragilidade emocional? Talvez. Talvez sim. Mas, confesso que tenho medo de pessoas que não sentem dor, que lidam de maneira completamente prática com os sentimentos. Para mim, que vive assim, não vive. Viver e não sentir, não é viver.

As dores da alma são por vezes muito piores que as do corpo. Estas se curam com remédios, cirurgias… tratamentos que a ciência proporciona. As do coração… só o tempo. E às vezes, nem o tempo. Até cicatriza, mas as marcas ficam.

Uma vida bem vivida é uma vida de ganhos e perdas. De desejos adquiridos, de desejos esvaziados. De motivos novos, de motivos velhos e abandonados – por escolhas que nem sempre são nossas.

Viver bem é reconhecer que há dias em que simplesmente não desejamos existir. Sabendo, no entanto, que sempre haverá um novo dia…

Por, Ronaldo Nezo

Fonte:http://blogdoronaldo.wordpress.com/2011/10/26/para-onde-vao-nossos-desejos/



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ontem chorei...


... Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei.

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

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