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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Amor só de letras....


Conta à história que dom Pedro II casou-se sem conhecer a sua noiva. Tinha visto um quadro com a cara da princesa, e só. Casamento de interesses políticos lá dos portugueses, fazer o que? E quando a moça chegou ao porto do Rio de Janeiro, consta que ele fez uma cara emocionada. Pela feiura da imperial donzela. Mas casou, era o destino, era a desdita.

Quantas historias já ouvi, das pessoas de "antigamente" que o moço ia pedir mão da moça e o pai dela dizia: – Essa está muito novinha. Leva aquela. E o moço levava, aquela que viria a ser sua esposa e mãe de uma penca de filhos. Ah, e a outra na maioria da vezes morria solteirona.

De um tempo para cá, o conceito da escolha foi mudando. Escolhia-se pela classe social, pela aparência, pelo que o outro oferecia, até ir para a cama antes, valia de critério para a escolha. Ficava-se antes, casava-se depois..!!

Só que agora, nesse início do século 21, surgiu um outro tipo de escolha, de casamento. O casamento por letras. Letras de textos. O texto virou casamenteiro. Apaixona-se, hoje em dia, pelo texto, pela palavra escrita, enviada e visualizada via internet. Via cabo, literalmente..!!

Conheço alguns casos de gente que conheceu gente por textos, que desmanchou relacionamentos de carne e osso por uma aventura no mundo das letras. Claro que estou me referindo aos encontros via Internet. Começa no chat, com o texto. Gostou do texto, leva para o reservado. E lá, rola. Encontram-se pessoas perdidamente envolvidas por textos belíssimos, de vírgulas acentuadas, exclamações sensuais e risos de entortar qualquer coração letrado ou iletrado.

Sim, pela primeira vez nesta nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendo primeiramente pela palavra escrita. Agora, o texto pode levar ao amor. Uma espécie de amor de texto, amor de perdição.

A relação, o namoro, começa ali no monitor. Você pode passar algumas horas, dias e até semanas sem saber nada da outra pessoa. Pois só conhece o texto dela. E é com o texto que vai se fazendo o charme. Você geralmente nem sabe se a pessoa é bonita ou feia, gorda ou magra, jovem ou velha. E, se não for esperto, nem se é homem ou mulher. Mas vai crescendo uma coisa dentro de você. Algo parecidíssimo com amor. Digo, pelo texto.

Pouco a pouco, você vai conhecendo os detalhes da pessoa. Idade, uma foto, a profissão, a cor. Inclusive onde mora. Sim, porque às vezes você está levando o maior 'lero' com o texto amado e descobre que ele vem lá do Panamá. Ou do Arroio Chui. 

Mas se o texto for bom mesmo, se ele te encanta de fato, você vai em frente. Mesmo olhando para aquela fotografia – que deve ser a melhor que ela tinha para te escanear (ou seria sacanear, me perdoando o trocadilho fácil) você vai em frente. “Uma pessoa com um texto desses…”.

A tudo isso o bom texto supera.

Jamais, em tempo algum, uma geração escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto. E amou tanto. Se uma pessoas fica seis horas por dia ali, conectada, ou ela está lendo ou escrevendo. E mais, conhecendo pessoas. E amando essas pessoas. Ou os textos delas..!! No caso do amor ali nascido, a feitura, o peso, a cor, a idade ou a nacionalidade não importam. O que é mais importante é o texto. O texto é a causa do amor.

Para um amante da escrita, não vejo mal em amar os textos, se apaixonar pelas palavras de alguém, afinal o que pode mais querer um escritor do que uma geração apaixonada pelas palavras..?? Apenas reflito, será que conseguimos amar quem esta perto, com as mesmas palavras transformadas em atitudes, ou temos apenas um amor só de letras...!!????

Como diria Shakespeare, palavras, palavras, palavras.

Como diria Pelé, Love, Love, Love…



Gisele Mulek




*Uma pequena reflexão e adaptação do Texto "Amor só de Letras" de Mario Prado

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