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Aqui… com doçura, com paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor; Sabedoria, esperança, caridade e diferenças; Saudades, liberdade, dúvidas e certezas; Entre amigos ou família, quem sabe outras crenças, dias de sol ou de chuva, sem frescuras… dividimos…"segredos".


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sábado, 29 de junho de 2013

Quando a gente aprende a ser livre...


Eu vi aquela menina no chão e meu primeiro impulso foi correr ao seu encontro e dar-lhe um abraço e dizer que seja lá o que a tivesse feito chegar àquela situação, iria passar. Mas, por bom senso e tantas outras coisas que o mundo prega, deixei essa responsabilidade a quem de fato devesse, que, não era eu. 

Talvez ela sequer aceitasse minha ajuda e não valia a pena correr o risco da rejeição. Isso aconteceu várias vezes. Aquela moça insistia em ficar na rua onde eu passava. Todos os dias a encontrava lá, maltrapilha, com uma cara de choro e olheiras herança de noites mal dormidas. Sentava no meio fio e parecia ser ali seu santuário escolhido pra ver o mundo passar. O altar escolhido pra deixar seu coração desaguar. 

Um dia não aguentei e fui até ela. Sentei no meio fio ao seu lado, segurei suas mãos. De cabeça baixa ela estava, de cabeça baixa continuou. Lhe dei um abraço assim, sentadas mesmo e lhe sussurrei ao ouvido; vai ficar tudo bem. Ouvindo aquilo, ela levantou a cabeça pra colocar nos meus aqueles olhos marejados e qual não foi meu espanto ao encontrar naquela face nada mais, nada menos que a minha face.

Nos abraçamos e naquele momento todo amor do mundo que por anos a fio doamos ao mundo, nos inundou. Como era difícil encarar aquela menina linda porém tão mal vestida, tão desacreditada e tão descrente e reconhecer que era eu mesma. 

A levantei, levei pra casa, dei banho, passei o melhor óleo e perfume, a deitei na cama e lhe abracei de conchinha como ela - eu - tanto gostávamos. Ela pareceu dormir pela primeira vez em anos. Eu, também. Acordei o dia já estava alto e eu, sozinha na cama. A menina irriquieta e triste havia enfim encontrado seu rumo. A moça maltrapilha que queria tanto que o mundo a visse encontrou o que precisava: os olhos e amor de si mesma sobre si e enfim teve paz. Tivemos paz.

Ela, eu, que procurávamos tanto alguém que nos salvássemos de nós, encontramos: nós mesmas.


Tarefa insana é buscar fora o que está dentro.
Impossível amar sem antes, abraçar a si.
Se amar é também se libertar


Fonte: camilalourencomorena.blogspot.com


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