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Aqui… com doçura, com paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor; Sabedoria, esperança, caridade e diferenças; Saudades, liberdade, dúvidas e certezas; Entre amigos ou família, quem sabe outras crenças, dias de sol ou de chuva, sem frescuras… dividimos…"segredos".


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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Hoje estou todo negro...


Hoje estou todo negro
Vesti-me de preto do tórax à planta dos pés
Fiz isso, pois precisava
sentir a mim e me inebriar na exatidão
Fiz isso, pois qualquer outra cor não poderia correlacionar
ao meu estado de espírito

Fiz isso, pois meu interior jaz em negro violento,
obscuro e silencioso
Fiz isso por que me cansei de tantas cores
que a vida parece ter
Meu ser agora é todo negro
Negro da cor do nada
Negro que nega o tudo

Cansei de tudo
Das palavras sempre bem elaboradas no papel,
do livro sempre lido que de tão lido
está surrado e já com páginas amareladas
Dos sorrisos de dentes brancos
Da mesma casa, dos mesmos gostos,
dos mesmos discos novos.
Da internet sempre atual. Do vermelho vivo
que as luzes dos carros emitem no transito
De palavras sempre belas
e repetidas, dos desejos e insinuações
Desta minha fé morta, que de tão morta
move montanhas
Das mesmas pessoas, dos mesmos assuntos,
das mesmas casas, das mesmas caras.

Estou cansando e sobrecarregado
Cansei desta velha casca desgastada
que carrego sempre
e que com ela vou vivendo até um dia me acabar.
Cansei de tudo que é cor.
Cansei de tudo que é meu e mais um pouco
que tomo emprestado dos outros

Tudo o que me resta é esta casca
Esta velha casca desgastada
E esta angustia existencial inacabada

Fernando Martins


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