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Aqui… com doçura, com paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor; Sabedoria, esperança, caridade e diferenças; Saudades, liberdade, dúvidas e certezas; Entre amigos ou família, quem sabe outras crenças, dias de sol ou de chuva, sem frescuras… dividimos…"segredos".


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quinta-feira, 3 de março de 2011

É bom ser pequenino.....


Estes dias levando minha pequena Rebeca para escolinha, segurando suas mãos, de repente ela tropeçou e quase caiu, prontamente disse: _Opa.. quase cai mamãe?? Sorriu.. e continuou... _Mais você me segura neh!!!

Isso me fez pensar em tantas coisas; em como é bom ser pequenino, sentir-se protegido, amado, cuidado, não importa o que aconteça, sabemos para onde correr!!


Me fez lembrar meu tempo de infância, coisas simples, como o balanço do quintal, o cheiro dos lençóis lavados, cheiro de sol; a briga para escovar os dentes antes de dormir, as orações antes de adormecer. Na saída da escola o desejo de chegar a casa, o aconchego e, depois, outra vez a vontade de sair.


Corria para a minha mãe quando caía e me magoava. Não para o meu pai, porque a vida o afastou de mim; mais ela sempre esteve ali, presente fazendo o que achava ser melhor pra mim, claro que as vezes vinha com aquela famosa frase “eu avisei”... mais como era bom, tudo se resolvia.

Me lembrei dos pratos especiais nos dias de festa; do frango com macarrão somente aos domingos, sagrado. Das brigas pelas sobremesas, da calda do flan (hum); E depois outra briga, para decidir de quem é vez de lavar a louça, e sempre sobrava para mim, era a mais velha.

Confesso que não sei muito bem a partir de que idade é que os irmãos deixam de ser irritantes… rs.

Quantas brincadeiras, cresci com primos, irmãos, todos juntos, aquele agito, dias de verão o calor nos mandava para fora, subir em árvores, correr pelo quintal, e mesmo quando a chuva caia lá fora, quantas brincadeiras dentro de casa, aquela cabana montada, fazia o calor acontecer (rs). Vez ou outra surgia uma bronca porque muitas vezes passávamos dos limites.

Natal, páscoa, dia das mães e dos pais... tantos feriados, não importava, achavam-se todos, os primos, os tios de perto e os de longe, reunidos na casa dos avós; Brincadeiras. Às vezes notar, sem notar, uma expressão semelhante a tristeza ou cansaço no rosto de um ou de outro, mais logo a brincadeira de novo. Música, flores, sorrisos. É tão bom ser pequenino…

Coisas pequenas. Diárias. Corriqueiras. Mas enormes, únicas, cheias de magia.

Me convenci de que era a infância que acendia nas pequenas coisas de todos os dias essa música e esse encanto que agora mesmo depois de adulta ainda me traz essa sensação de paz. Que era por ser pequeno não só na altura que todas essas coisas se faziam especiais, mais por ser pequeno na essência em aceitar o simples, como sublime.

Mas quando se cresce, se descobre que é muito fácil errar o caminho.

Se percebe que geralmente não é muito difícil casar-se, nem ter filhos, nem ter uma casa para viver. Mas podemos chegar facilmente à conclusão de que é muitíssimo difícil construir uma família e especialmente mante-la. É como ter já os tijolos e, no entanto, ser incapaz de encontrar o cimento que os una, e lhes dê forma, consistência e identidade.

Pois queremos dar aos nossos pequenos uma infância feliz, cheia de coisas excelentes e atividades fantásticas e experiências divertidas. E para manter isso vamos para uma rotina de trabalhos e afazeres e passamos a deixar o simples de lado.

Pois ao crescer, descobrimos que para se ter os lençóis lavados e passados com cheirinho de sol é preciso frequentemente deitar-se mais tarde, acordar mais cedo e isso significa dormir menos.

Descobrimos que é preciso ter paciência para fazer uma criança ganhar o hábito de escovar os dentes ou então deixar a roupa suja no local correto. Ou ainda para apaziguar uma briga entre irmãos, ou então ouvi-los contar suas historias, e chorar suas magoas.

Percebemos que ao envelhecer vamos buscando cada dia um pouco mais de sossego porque a essa altura ser gente grande cansa facilmente. E então nos vemos enfadados, estressados, e já sem aquela energia de quando nos éramos pequenos.

Afinal quando temos os nossos pequenos e os vemos dependendo de nos, deixamos de viver como filhos, e passamos a viver como pais.

Mas é nesse momento que devemos ser pequenos na essência, assumir nossas responsabilidades, mais viver com simplicidade e humildade; pois é assim que eu descobri, que o cimento da família é aquilo que se faz pelos outros, deixando de fazer aquilo de que se gosta, para ver feliz aqueles a quem se ama, para ajudá-los a chegar a onde devem chegar.

Aquelas pequenas coisas da minha infância foram grandes, porque eram feitas de um amor sacrificado e camuflado, e me fizeram aprender a valorizar esse amor que toca naquilo que é pequeno e engrandece-o, que desenha flores no pó do quotidiano, esse amor, e somente ele que permanece!!

Então, viva com a simplicidade de criança, pois para ser grande, melhor é ser pequeno!!!


Gisele Mulek



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